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    <title>vangennep2412 on Tuhat</title>
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    <description>Posts by vangennep2412 on Tuhat</description>
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    <lastBuildDate>Fri, 29 May 2026 11:49:18 +0000</lastBuildDate>
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      <title>As Bestas</title>
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      <description>Há um filme espanhol maravilhoso disponível no canal MUBI. Chama-se AS BESTAS, e é dirigido por Rodrigo Sorogoyen. A história é sobre um casal de franceses,…</description>
      <dc:creator>vangennep2412</dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Há um filme espanhol maravilhoso disponível no canal MUBI. Chama-se&nbsp;AS BESTAS, e é dirigido por Rodrigo Sorogoyen.</p>
<p>A história é sobre um casal de franceses, filhote da contracultura liberal hippie, que vai morar na Galícia, com seus sonhos ecológicos e de tolerância, e se vê obrigado a enfrentar uma dupla de camponeses brutos que o culpa pela pobreza da região, pois os “estrangeiros” votaram contra a implementação de energia eólica que poderia revitalizar a economia da comunidade.</p>
<p>E mais não digo para evitar os spoilers desnecessários. Mas já antecipo: haverá sangue.</p>
<p>Uma das observações mais sutis - e mais ácidas - do longa é a respeito de como a tolerância dos franceses acentua a tragédia que se segue. Ela evita a violência justa que poderia corrigir a raiz do problema.</p>
<p>Tal comparação pode ser feita com a situação da Venezuela, antes da invasão americana para expurgar o governo de Nicolas Maduro.</p>
<p>As últimas informações já deixaram claro que a culpa da calamidade naquele país não é do povo - que foi em massa para as urnas e deu vitória à oposição contra a ditadura de Maduro.</p>
<p>Ah, então o principal responsável é Lula e o Foro de São Paulo? Provavelmente. Mas Lula está tão endividado por não ter mais a máquina de propina da Odebrecht a seu dispor que, no fim, tornou-se também refém da retórica bolsonarista proferida por Maduro na reta final do pleito.</p>
<p>Mas há um fator a mais que ninguém quer ver. Talvez os principais culpados pela calamidade sejam a imprensa e o liberalismo (no sentido brazuca, por favor) que a fundamenta.</p>
<p>A imprensa é responsável porque ela acredita piamente que, nos últimos trinta anos, a Venezuela poderia se transformar em uma democracia.</p>
<p>E o liberalismo tem sua parcela de culpa porque ele é incapaz de perceber, graças à sua visão otimista sobre a natureza humana, a maldade intrínseca ao nosso comportamento.</p>
<p>Esses dois tipos de atitude criaram um entorpecimento moral, cuja consequência é acreditar que, numa tirania como a Venezuela, nunca foi necessária uma intervenção radical para corrigir a desordem que ali se instalou.</p>
<p>Sem a intervenção americana, a Venezuela será sempre uma latrina do mundo.</p>
<p>As reações do Brasil e dos EUA (por meio da então vice-presidente Kamala Harris) indicam que o entorpecimento continuará como se nada tivesse acontecido. Afinal, a tolerância é boa para quem&nbsp;ainda vive numa democracia - mesmo que essa mesma democracia tenha de compactuar com as tiranias que moram à margem da civilização.</p>
<p>No fundo, assim como ocorre na obra de Rodrigo Sorogoyen, as bestas somos nós, os civilizados.</p>
<p>Resumo da ópera: apoiem a Venezuela, assistam ao longa.</p>
<hr>
<p>O CEMITÉRIO DAS IDEIAS</p>
<p>Há pouco tempo surgiram no Brasil os podcasts, como Flow e Inteligência Ltda, que se vendiam como alternativa à grande imprensa, com assuntos e pessoas imprevisíveis, sempre imitando o inimitável Joe Rogan.</p>
<p>Tudo ia muito bem, até que uma das estrelas desse nicho, Monark, resolveu falar umas bobagens a respeito do nazismo e, por isso, foi cancelado pelo público, pela mídia, pelos próprios sócios e, depois, pelo STF, que o transformou em um modelo de desobediência civil.</p>
<p>A partir daí, os podcasts perceberam que não havia outra maneira de sobreviver se deixassem de imitar o Joe Rogan e passassem a imitar nada mais, nada menos que a velha imprensa.</p>
<p>A programação desta semana do podcast Inteligência Ltda. é uma verdadeira "cracolândia do pluralismo". Começa com um bolsonarista de alto gabarito, passa por um stalinista linha-dura e termina com um judeu antissemita (e se vocês acharam que ficaríamos escandalizados com a presença da “modelo erótica” que filma seus vídeos picantes com o filho já adulto, nós garantimos que isso é o menor dos problemas).</p>
<p>O jogo dos podcasts é o seguinte: fingir que são programas “diferentões”, com gente esquisita, mas, ao mesmo tempo, atrair notoriedade para ganharem audiência de um público sedento por drogas pesadas. Na verdade, o que era para ser novidade com os Monarks da vida tornou-se um esquema semelhante ao que já vimos no passado com o Raul Gil, o Programa do Ratinho e Márcia Goldschmidt.</p>
<p>O que isso significa? Significa que, depois da “era de ouro” dos podcasts, eles não têm mais público. São números imaginários que só servem aos algoritmos do YouTube e do Spotify (duvidam? perguntem à IBM e à Embratel).</p>
<p>Mas há algo ainda mais preocupante nessa estratégia: ao contrário de Joe Rogan, que, para o bem e para o mal, realmente entrevista seus convidados porque se prepara para isso, em geral os nossos podcasters são mais obtusos e míopes do que os jornalistas profissionais (alguém já se esqueceu quando Monark e Igor perguntaram a Luís Felipe Pondé sobre quem era esse sujeito chamado Paulo Francis?).</p>
<p>Rogan faz perguntas incômodas e inteligentes aos entrevistados; já aqui, o que temos é um sujeito com óculos escuros, fazendo pose de inteligente, e balbuciando alguma interjeição para deixar o seu convidado falar a porcaria que quiser.</p>
<p>Por que o que vocês acham que Jones Manoel e Breno Altman vão falar? Pérolas de sabedoria? Tanto os podcasts como a imprensa confundem a tal da "liberdade" de expressão com a "libertinagem" de expressão. Acham que o anormal é o novo normal - e, por isso, deseducam o leitor (ou o espectador), tornando-o absolutamente insensível a qualquer tipo de novidade que apareça diante dos seus olhos.</p>
<p>Do outro lado, quando o Flow abriu o seu braço jornalístico, o Flow News, também conhecido como “Escolinha do Professor Tramontina” (nossa homenagem ao carro-chefe da grade), a situação foi minguando de tal forma que chegamos nisso aqui:</p>
<p>Se antes tínhamos a cracolândia do pluralismo, temos aqui o "cemitério das ideias", com direito a um descobridor das Américas entrevistando a si mesmo em um monólogo que daria sono a Samuel Beckett.</p>
<p>Em suma: ao imitar a imprensa, tanto no aspecto asséptico como no selvagem, a indústria de podcasts apenas cavou a própria cova - e provou que, como tudo no Brasil, a sua verdadeira vocação sempre foi para ser uma tremenda besteira.</p>]]></content:encoded>
      <pubDate>Fri, 29 May 2026 11:48:52 +0000</pubDate>
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      <category>venezuela;</category>
      <category>intervenção americana;</category>
      <category>liberalismo</category>
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